Overview
Novas formas de vislumbrar as rela??es sociais e o trabalho precisam ser pensadas como consequ?ncia das transforma??es sociais e das crises que o capitalismo vem enfrentando na atualidade. Novas tecnologias que re?nem trabalhadores, que n?o se consideram empregados, sob a nomenclatura de colaboradores; cl?ssicas formas de explora??o agudizadas, ampliando a retirada de direitos, como a terceiriza??o total, o tele-trabalho; a redu??o (quase supress?o) da for?a dos sindicatos e desestrutura??o da for?a coletiva dos trabalhadores, s?o parte desse processo de crise que tem afligido e impelido ?s discuss?es sobre os "direitos e pol?ticas sociolaborais".Atentos a essas transforma??es que atingem diretamente as rela??es sociolaborais, o Grupo de Pesquisa "Trabalho e Desenvolvimento: Influxos e Dissens?es", vinculado ao Programa de P?s-Gradua??o em Ci?ncias Jur?dicas da UFPB, com apoio da Prim@Facie - Revista do PPGCJ, re?ne neste comp?ndio um conjunto de trabalhos que tenta refletir sobre as possibilidades para a constru??o de alternativas para a constru??o de novos prismas sobre o trabalho, enquanto fato social, enquanto valor, enquanto direito, e, enquanto elemento de resist?ncia.A realidade atual, na qual a explora??o do trabalho humano ultrapassa as formas cl?ssicas de mercadoriza??o do labor humano, reescreve a pr?pria hist?ria do trabalho, eliminando elementos cl?ssicos da conviv?ncia no ambiente de trabalho e fazendo surgir novos elementos da economia que imprimem uma nova realidade de desagrega??o social, na qual a pr?pria classe de trabalhadores n?o se reconhece como tal.Os esfor?os econ?micos s?o direcionados pelos centros de poder para a amplia??o da acumula??o do capital, o que, invariavelmente, estabelece uma divis?o clara e desigual. O trabalho anteriormente subordinado e pessoal, ? realizado das mais variadas formas, convivendo com novas esp?cies que sequer s?o abrangidas pelo direito do trabalho, a precariza??o tecnol?gica, a uberiza??o, elevando os patamares da explora??o do trabalho humano.A tecnologia, embora surja como um novo mecanismo de explora??o do trabalho humano, tamb?m n?o pode ser abominada, ? imperioso que sejam pensadas novas formas de ressignificar e redirecionar as suas contribui??es para a forma??o de um novo esp?rito de viv?ncia atrav?s do trabalho. A ideia cl?ssica arendtiana de condi??o humana, atrav?s da conviv?ncia na esfera p?blica, precisa ser repensada ? luz das novas experi?ncias que exigem de uma classe cada vez mais fragmentada, o "pr?prio" autoreconhecimento enquanto classe trabalhadora. Mal remunerados os cidad?os, trabalhadores, se submetem e buscam outras alternativas para a manuten??o de suas sobreviv?ncias. A ideia de economia compartilhada, a economia verde, as cooperativas s?o propostas solid?rias para a supera??o do paradigma eminentemente econ?mico imperante. N?o se sabe ainda precisar se essas novas formas de vivenciar a experi?ncia laboral ser?o suficientes para firmar um compromisso solid?rio para a readequa??o da economia, no atual contexto de crise do capitalismo, mas s?o formas de se apresentar tentativas de readequa??o das rela??es interpessoais, atrav?s do trabalho. ? nesse intento, como espa?o de reflex?o e de abertura para novas compreens?es que a obra se apresenta. N?o se pretende, a essa evid?ncia, limitar as discuss?es aos textos aqui reunidos, mas torn?-la cada vez mais abrangente, de modo a permitir que cada contribui??o seja ponto de partida para novas reflex?es acerca do mundo do trabalho.